#32 {para cuidar de mim}

Pensar demais é uma coisa que eu faço constantemente. O que poderia até ser uma coisa boa, se não fosse tão ruim. Que paralisa. Que atormenta. Pensar demais não no sentido de problematizar para sair do lugar e mudar a vida pra melhor, mas no sentido de focar no que poderia estar diferente, no que está, teoricamente, “errado”. Isso ocupa um baita espaço aqui na minha cabeça, confesso. É por isso que tenho buscado cada vez mais aprender a respirar, a ir com calma, estar presente. Porque pensando demais tudo que eu não faço é estar presente. Por mais que pareça que sim, a verdade é que eu não estou aqui. Estou num lugar imaginário, hipotético, um mundo paralelo chamado ideal. Ilusão. Praticar o hábito de voltar pro presente é o que me ajuda a sair dessa inércia e seguir caminhando. É um exercício diário, ainda não é automático todos os dias. Mas não preciso esperar que seja para saber que é o que me faz bem.

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#31 {para cuidar de mim}

Eu escrevo porque é o que eu sei fazer.
Combinar palavras para transmitir o que eu sinto é a minha melhor forma de expressão. Melhor do que falando, bem melhor. Escrevo para pensar melhor. Para organizar as ideias. Para mudar de ideia. Escrevo quando quero dar um conselho a um amigo. Escrevo quando não quero falar com ninguém. Para exorcizar. Vibrar. Homenagear. Ou quando quero me desculpar. Escrevo porque as palavras sempre sabem o que dizer, eu só obedeço. Eu as ouço. Várias vezes. Interpreto. E só então passo adiante. Escrevo quando chove lá fora ou quando chove aqui dentro. E também para fazer ou parar de chover. Florescer. Renascer. Escrevo para tentar capturar o tempo enquanto ele passa por mim, distraído. E para libertar – pessoas e sentimentos. Escrevendo eu consigo ir lá longe, mesmo que não tenha me levantado a tarde inteira. E também escrevo quando não estou aqui. Andando na rua, dentro do ônibus, tomando um café, conversando com você. Escrevo primeiro dentro da cabeça, é assim que começa. As palavras vão surgindo e se unindo feito roupa estendida no varal, uma a uma. Eu as estico direitinho, descanso na sombra que elas me dão lá no quintal e depois é só recolher e usar cada uma no momento mais oportuno. Escrevendo eu me visto. Escondo ou revelo. Às vezes eu não sei nem por onde começar e acho que nenhuma me serve – e estes são os piores, dá vontade de ficar na cama o dia todo, mas não é me escondendo que vai passar. Escrevendo eu me vejo. Eu me viro. Também me ouço melhor. Escrevendo eu me invento. Aprendi aos quatro anos e desde então sigo escrevendo. Não imagino sendo diferente. É a única coisa que eu sei fazer. (Texto escrito em 2013, segue sendo minha verdade).

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#30 {para cuidar de mim}

Pequenas coisinhas felizes: tarde de filme e companhia da prima amada. ❤️ A cada uma das pessoas queridas que me mandaram força, abraço e boas energias ontem: obrigada, obrigada, obrigada. Chegou aqui, saibam disso. Tem sido um aprendizado deixar os sentimentos ficarem por um tempo, ao invés de buscar alternativas para mandar tudo embora de uma vez. Agora está tudo bem. E tive uma tarde tranquila, pra aliviar a semana que já está quase acabando. Que bom que eu consegui compartilhar com vocês. Que bom que estamos juntos. Sigamos.

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#29 {para cuidar de mim}

Hoje senti raiva. Queria me esconder, sumir. Todos os pensamentos que me vinham eram transformados em algo chato, pesado, ruim. Pelo menos a sensação era essa. Pensava em escrever, achava que ia sair tudo uma merda. Pensava em sair de casa, e logo vinham os empecilhos. Pensava em arrumar a casa, mas não tinha força pra começar. Como conseguir fugir, se nem um passo estou conseguindo dar? O jeito era deixar a raiva ficar aqui mesmo. Não arrumei nada, não cozinhei, não fui bem humorada – apesar de não ter distribuído ofensas também. Deixei a raiva ficar em mim. Se eu a passasse adiante, sabia que ia ser pior. Sabia porque já fiz assim outras vezes. Me tranquei no banheiro. Em algum momento consegui sair de casa, agora estou em outro lugar. Cansada. Parece que estou de ressaca, sabe? O jeito então é descansar e me hidratar. Dizem que é bom pra gente se recuperar mais rápido.

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#28 {para cuidar de mim}

Para quando a gente cisma que está tudo fora de lugar na vida, aqui vai uma dica de algo que fiz semana passada e me fez muito bem. Uma lista de tudo o que já aconteceu de bom neste ano na sua vida. Muito simples. Pegue um papel e uma caneta (gosto do ritual de escrever em papel, acho que tem um sentido especial) e comece a listar as conquistas, descobertas e alegrias que viveu esse ano. Um por um. Eu me surpreendi, acredita? Escrevi fácil mais de dez itens. Todos importantes e que eu já quis muito – e que viraram realidade recentemente. A parte engraçada é que, dias antes, eu botei na cabeça que a vida andava meio travada feito uma fase que vivi ano passado, as lamúrias, as contas, as pendências. Realmente tem coisa que ainda não consegui mudar do jeito que quero. Mas sabe de uma coisa? Aconteceram tantas coisas boas, até algumas que eu nem pensava a respeito e que agora estão aqui fazendo parte do meu dia, que não tenho mais como dizer que está igual. Mudou sim, e mudou pra melhor. É tudo uma questão da gente parar um pouquinho, sair do piloto automático e olhar a vida em perspectiva. A escrita é uma ferramenta poderosa pra isso. Recomendo.

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