#21 {para cuidar de mim}

Estamos em outubro e daqui a pouco já começa aquela fase de retrospectivas e recordações. Antes de chegarmos lá, preciso falar de 2015. Sim, 2015, aquele que já virou lembrança há tempos. 2015 foi um ano complicado. Tudo que eu conseguia ver na minha vida era o que eu não tinha. A sensação clara e quase física era a de que a gente precisaria mudar muita coisa até começar a ficar menos pior. Eu estava estressada. Fadigada. E queria achar alguma solução, o mais rápido possível, para sair daquele limbo. Quanto mais eu corria atrás do que quer que fosse para me tirar dali, mais eu me afastava da minha calma. Quanto mais eu ansiava por uma vida diferente, mais me enterrava no que eu queria mudar. Contraditório, eu sei. Estava correndo em círculos – cansada e sem sair do lugar. Mas, de alguma forma, as coisas se ajeitaram aqui dentro e eu comecei a prestar atenção no que eu tinha. Ajustei o olhar e passei a realmente enxergar tudo que eu já tinha e simplesmente agradecer por elas. Pronto, lá vem a hippie falar de gratidão. Sim, sou eu. Não teve uma estratégia elaborada para me tirar daquela angústia, algum segredo que eu poderia vender e ficar rica. Foi muito simples, na verdade. Foi perceber que nem tudo naquele cenário cabia a mim – e que era inútil, então, continuar carregando tal peso. Eu precisei deixar de lado algumas certezas e entender que a minha pressa não estava funcionando em nada. Aliás, estava me adoecendo. Tive mastite, inflamação de ouvido, dores de cabeça, insônia. Ou eu mudava, ou sucumbia de vez. Não foi que eu me conformei. Eu só aceitei que aquela era a realidade do momento e que poderia escolher seguir de outro jeito a partir de então. 2015 foi um ano de processos e aprendizados. Agradecer pelo que eu tinha foi um cuidado importante que sigo fazendo desde então. E ainda vou falar mais disso por aqui, com certeza.

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#15 {para cuidar de mim}

A primeira vez que eu passei pela experiência de renascimento, de uma forma muito intensa e muito real, foi em 2013. Em 2013, eu decidi que queria engravidar. Ser mãe era “apenas” a coisa que eu mais queria na vida, desde onde a memória alcança, lá atrás. Estava casada há pouco mais de 1 ano e, mesmo que a vida ainda não estivesse perfeita, quem ligava, né? Me pareceu a hora certa e assim foi. As tentativas começaram em março. Em abril eu estava grávida. Foi tanta alegria, tanta comemoração, que eu mergulhei ainda mais no mundo materno. Eu idealizei aquele bebê de uma forma que nem eu esperava. Eu conversava, pesquisava, me sentia maravilhada pelo milagre que acontecia bem aqui na minha barriga. Ficava encantada pensando em como a natureza é perfeita. Aí, com 17 semanas, descobrimos que o desenvolvimento havia parado e a Bolota não viria mais (tinha até nome provisório, meu bebê). Meu chão se dissolveu e eu caí num choro doído dentro da sala de ultrassom. Era 8 de agosto. No dia seguinte seria meu aniversário. Esperei todo o processo acontecer em casa, de forma natural, pensei que talvez ainda demorasse até. Mas naquela madrugada do dia 09, pouco antes da hora em que eu mesma nasci, aconteceu. Mais do que as expectativas e o sonho, meu bebê havia ido embora. Só o que havia restado era uma neblina densa de dor e tristeza. Não sei de onde foi que surgiu a força para pensar, mas ali, de madrugada, na companhia da minha mãe, eu consegui vislumbrar que estava renascendo. Que a partir daquele acontecimento as coisas seriam diferentes. E foi. Posso ter vivido outros renascimentos na vida, antes e depois, mas este, com certeza, é o que não esqueço jamais.

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#13 {para cuidar de mim}

Eu sabia que em algum momento iria acontecer. Essa coisa de falar sobre todas as coisas que um dia foram, das que ainda estão, do que virá, se tudo der certo. Eu sabia que isso ia mexer com monstrinhos que estavam adormecidos. Eu chamo de monstrinhos, porque quero dar a eles seu devido tamanho, e não o que eles querem me parecer. Gigantes. Assustadores. Mas a verdade é que agora estou assustada, sim. Tão fácil deixá-los lá quietinhos, né. Eles não gostam de ver a luz do sol, de sair pra passear, de serem vistos. Agem na surdina, sempre escondidos. São sombras. Talvez fosse melhor escrever ficção científica. Todo mundo lá fora sendo um sucesso, fazendo coisas, pagando contas, rindo, conseguindo. E eu aqui mexendo nessa fogueira achando que ia ser tranquilo. Eles estão aqui olhando pra minha cara, gargalhando da minha audácia. Só que tem um problema. Eu não quero parar. Acredito no poder curativo da palavra escrita. O que arde cura, dizem os mais velhos. Cansei de só ocupar esse espaço com peso. Não faço ideia do que isso pode virar, só o que sei é que estou indo. Me disseram para não ser tão leve, porque podia perder o prumo. Mas, a pergunta que fica pra hoje é: e se eu quiser voar?

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#10 {para cuidar de mim}

Criar uma pessoa é uma oportunidade única para que revisitemos alguns pontos da nossa própria história. Não costumo falar assim, já começando desse ponto, porque não acho que filho tem responsabilidade de mudar qualquer coisa nos pais. Absolutamente não. Imagine o peso que deve ser conviver com isso, já pensou? Mas é que é uma coisa TÃO intensa, que não dá pra passar ileso por ela. Principalmente em relação a emoções e a forma com que lidamos com elas. Minha pequena está com pouco mais de 2 anos e estamos numa fase em que tenho ainda mais cuidado para nomear e acolher o que ela estiver sentindo. Sabe, não é uma tarefa fácil. A gente precisa reconhecer o que a gente sente, o que eles sentem, explicar, não demonizar sentimentos “ruins”, estar ao lado nas explosões de choro, saber dizer não. E sim. Sem contar aquele trecho da música do Djavan, que poderia ser lema da maternidade: “sabe lá, o que é não ter e ter que ter pra dar”. Em alguns dias parece impossível. Lidar de perto com a primeira infância nos joga lá para onde um dia estivemos. Ter filho é espelho. E nem sempre a gente quer ver o que está sendo refletido. Não tem resposta pronta, nem equação que dê conta de atender todos os dias dessa estrada. É exercício diário. Eu só não sabia que seria acolhida também. Que, no fim de um dia exaustivo, eu fosse ouvir um “relaxa, mamãe” seguido de um abraço. Ou um “você ta bava (brava)?” E esperar sinceramente por uma resposta. Só então eu percebo o quanto é importante que alguém reconheça e legitime e não julgue algum sentimento nosso. Só esteja ali e abrace mesmo. Daquelas levezas e sinceridades que só as crianças possuem. A gente acha que tem que saber mil teorias para fazer dar certo, mas a verdade é que basta estar ali ao lado, atento ao que eles demonstram e dizem, e a mágica vai acontecendo bem debaixo do nosso nariz. Criar uma pessoa é uma oportunidade única. Que bom que ela está aqui.

 

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#07 {para cuidar de mim}

Quando eu estava grávida da Agnes, comecei a ter dificuldades para dormir. Quer dizer, não foi a primeira vez, mas naquele momento, com outra vida crescendo dentro de mim, dormir era ainda mais importante e necessário. Eu tinha falta de ar, demorava para adormecer e não conseguia entrar num sono profundo, daqueles que restauram, sabe? Eu estava cansada. Com a barriga crescendo, probleminhas na família, medos, anseios, fantasmas. Eu só queria conseguir dormir. Aí eu conheci uma mulher linda chamada Maíra, uma doula iluminada, que me ensinou a respirar e me passou uma “receitinha” de um óleo para me ajudar com o sono. Todos os dias, antes de dormir, eu massageava meus pés e minhas mãos com o óleo e depois fazia uma série de respiração inalando por uma narina e soltando pela outra (sem prender o ar). 3 séries de 10 respirações. E dormia. Naquele momento, não sabendo o que fazer para ter forças para o que viria, eu aprendi a maravilhosa arte de respirar. E prestar atenção nisso. E me dedicar a isso. E voltar pro presente. Para dentro dele. A prova de que estamos mesmo aqui. Nossa respiração. Quando a Agnes tinha 1 ano e começou aquela fase de nervos e testes de limite, eu ensinei pra ela a respirar fundo. Quando alguém está nervoso, eu digo para respirar fundo. Quando eu mesma estou perdendo o controle, fecho os olhos e inspiro com vontade. Pra sentir aquele ar gelado entrando pelas narinas. E voltar para onde eu preciso estar. Respirar. Apenas isso. Depois a gente resolve o que for para ser resolvido.