#18 {para cuidar de mim}

Qual foi as última vez que você se permitiu apenas sentar e observar o que estivesse ao seu redor? Assim, sem pressa, sem precisar emitir uma opinião sobre aquilo, sem julgar? Parece que a nossa mente está sempre preparada para se posicionar. E é importante mesmo, mas é só que fazer isso o tempo todo é desgastante demais. Pelo menos eu me sinto com a energia lá embaixo depois de discussões e alguns tipos de “convivência”, digamos assim. Se eu não parar para respirar, olhar ao redor, perceber a roda girando e os pequenos detalhes, entro em parafuso. Pode ser breve, até. Mas esse momento de contemplação é muito importante. Uma pausa do mundo. Renovação. Descanso. Um cuidado necessário e benvindo. Que não esqueçamos disso. Que não nos esqueçamos de nós.

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#13 {para cuidar de mim}

Eu sabia que em algum momento iria acontecer. Essa coisa de falar sobre todas as coisas que um dia foram, das que ainda estão, do que virá, se tudo der certo. Eu sabia que isso ia mexer com monstrinhos que estavam adormecidos. Eu chamo de monstrinhos, porque quero dar a eles seu devido tamanho, e não o que eles querem me parecer. Gigantes. Assustadores. Mas a verdade é que agora estou assustada, sim. Tão fácil deixá-los lá quietinhos, né. Eles não gostam de ver a luz do sol, de sair pra passear, de serem vistos. Agem na surdina, sempre escondidos. São sombras. Talvez fosse melhor escrever ficção científica. Todo mundo lá fora sendo um sucesso, fazendo coisas, pagando contas, rindo, conseguindo. E eu aqui mexendo nessa fogueira achando que ia ser tranquilo. Eles estão aqui olhando pra minha cara, gargalhando da minha audácia. Só que tem um problema. Eu não quero parar. Acredito no poder curativo da palavra escrita. O que arde cura, dizem os mais velhos. Cansei de só ocupar esse espaço com peso. Não faço ideia do que isso pode virar, só o que sei é que estou indo. Me disseram para não ser tão leve, porque podia perder o prumo. Mas, a pergunta que fica pra hoje é: e se eu quiser voar?

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Janelas

Eu preciso abrir as janelas. Deixar o ar entrar, passear pela casa, sair no outro cômodo. Todos os dias, pela manhã, quando chego na sala, abro a janela. Já é um ritual. Abro as cortinas, vejo como está o clima, e então abro aquele pedaço de vidro que me separa de lá de fora. O sol da manhã ou o vento gelado que bate no meu rosto me faz um bem danado. É quando eu permito que o dia comece de fato. Quando eu sinto o clima do que vem pela frente – e nem estou mencionando o número do termômetro. Por isso, eu sempre abro as janelas – aquele pedaço de vidro que me coloca em contato com o que há lá fora.
Hoje eu não abri a janela logo de cara. Minha filha está se recuperando de um probleminha respiratório, estava tudo meio cinza, garoa, vento, eu havia dormido mal. Não abri. Foi dando a hora do almoço e reparei. Eu não estava bem. Zonza, mal humorada. Pensamentos negativos tomando conta da minha mente. Olhei ao redor e percebi: tudo fechado. Vidros, cortinas, energia. Tudo fechado, parado. Abri cada uma, de cada cômodo. Foi mesmo um ritual. O vento carregou meus lamentos. O cinza nem estava tão frio. A pequena nem tossiu. Não demorou para que eu me sentisse bem. Se antes eu já sabia, agora nem penso em questionar: eu preciso abrir as janelas. Isso é só para começar.