pensando bem…

uma criança que dormiu cedo, promessa de noite tranquila – pra mim. mas foi exatamente o contrário. mesmo depois de um dia inteiro de atenção quase exclusiva, o sono da noite foi conturbado. será que ainda faltou um pouquinho? será que esse dia tocou em algo que estava adormecido e que veio pra superfície, pois sabia que seria atendido? seja o que for, aconteceu. sono leve, pedia minha presença, acordava a cada 20 minutos, passava os braços pelo meu pescoço, queria me saber perto, encostada. fiquei. levantava quando o sono pesava um pouquinho, porque precisava estudar para duas provas na manhã seguinte. teria que acordar cedo, sair sozinha, deixá-la em casa. ainda bem que com o pai ela fica bem. mas ainda era noite, eu precisava estudar – e comer, se não fosse pedir muito. era. voltei pro quarto várias vezes. teve choro, teve xixi, teve carência. eu pedi aos céus, a Deus, aos santos, à Mãe e toda legião que nos protege que acontecesse o que tivesse de ser, incondicionalmente, porque eu já estava tentando dar o meu melhor, mas nem tudo posso controlar. entreguei.
deitei, tentei dormir. a noite não foi das melhores, mas deu pra descansar alguma coisa – com ela em cima de mim, mas era o que tinha. antes do despertador tocar ela já estava acordada, o que significa que eu também estava. tomou banho comigo, conversou, pulou, brincou. eu já estava a beira de uma irritação, queria estar sozinha pra ser mais rápida. lembrei que tinha pedido proteção. estava acontecendo o que tinha que acontecer. ela quis sair comigo, chorou quando fechei a porta. fui. estive sozinha por quatro horas, foi bom. na volta, muito colo e vários papos. fizemos o almoço, comemos, ficamos por aqui. o dia continuava estranho. não era sobre lá fora, produtividade, trabalho e essas coisas da vida real. era a gente mesmo, coisa nossa, interna, misteriosa. os dois adultos da casa cansados, sem conseguir fazer muita coisa. vimos filme quando ela cochilou, nos deixamos ficar assim. nessa estranheza que vez em quando vem nos visitar. por que será que acontece? por que será que, de tempos em tempos, ficamos assim? com a energia meio baixa, a vontade rareando e fazendo só o que for realmente muito necessário. e ela ainda animada, demandando, pedindo. a gente dá aquilo que tem e pode. tem dias que a gente tem pouco. tem dias que não temos pra nós, mas temos que ter pra dar, como já cantou djavan.
fim do dia, respirar lá fora, tentar dar um ânimo. café, pão, rosquinhas. já era noite.
e a conclusão de que hoje foi mesmo esquisito e quase ruim, será que dá pra apagar e começar de novo?
e eu tornei a me lembrar.
da proteção que eu pedi ontem. da oração antes de dormir.
e a resposta que sempre chega rápido mas nem sempre do jeito que esperamos – tanto que por vezes esquecemos. mas ela vem. sempre vem. chega como um dia estranho que só conseguimos fazer o extremamente necessário e não conseguimos nem brincar direito. chega como os atrasos pra sair de casa. nos planos que furaram. no esquecimento repentino de uma reunião marcada. na falta de energia que nos obriga a ficar em casa e só descasar.
ela vem.
na verdade, ela já chegou.
e era pra ser assim. sempre acontece exatamente o que tem de ser. se fosse pra ser diferente, estava sendo.

então, obrigada. pela proteção diária. por nos fazer estar exatamente onde deveríamos estar. para viver e aprender o que estiver acontecendo. e fazer existir a lembrança de que nada é em vão debaixo desse céu.

escrevi coisas pelas quais sou grata hoje. escrevi. e me senti protegida. eu realmente senti. então está tudo bem. que bom que eu consegui perceber.

#25 {para cuidar de mim}

Quando os problemas começam a incomodar muito, eu abro a porta e vou lá fora. Ok, nem sempre é assim automático, mas funciona todas as vezes. Juro, eu mesma fico impressionada com a eficácia. Aquela velha história de dar um passo pro lado pro mundo mudar de lugar, sabe? Questão de alterar a vista de um ponto mesmo, literalmente. E a gente pode fazer isso sentindo o sol, olhando outras pessoas vivendo seus dias, mexendo as pernas, é incrível. Tira um peso das costas. A cara pode até continuar meio cansada, mas a sensação já é bem mais leve, com certeza.

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#23 {para cuidar de mim}

A verdade é que não há garantias. Não existe uma coisa mágica e específica que a gente faça e que simplifique tudo pra sempre. Quanto tempo na vida a gente perde só querendo o que é fácil – e se culpando, e sofrendo, e surtando por não conseguir? Eu já senti muito esse peso. De vez em quando ele ainda insiste em aparecer. Mas eu tento sempre me lembrar que não tem atalho. Tudo é caminho. Muitas vezes a gente quer algo definitivo. A dieta milagrosa. A teoria que vai fazer meu bebê dormir a noite toda. O segredo dos milionários. Como ser feliz todo dia. Não sei, é muita promessa, muita ilusão. A única coisa de tudo isso que eu sei é que estamos em movimento. A vida é fluida. Não estamos estáticos, parados no meio do nada. A gente só consegue o equilíbrio na bicicleta quando mexe as pernas – e mesmo quando dá para não pedalar, é em determinado embalo, por pouco tempo. Aceitar esse movimento como parte inerente da vida é um passo imenso nessa coisa de viver mais leve. Sigo tentando, um dia por vez. E tô gostando desse modo de caminhar.

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#22 {para cuidar de mim}

A culpa é um dos piores pesos que a gente pode carregar. Quando carregamos um peso muito grande durante muito tempo, acontece da gente se machucar – as costas doem, os ombros ficam pesados, as pernas ficam inchadas, os braços dormentes. Não é bom. Não faz bem. Em algum momento, precisamos parar. E num mundo onde parar vem quase sempre como sinônimo de fraqueza, a gente vai seguindo mais um pouco, só mais um pouquinho. Porque eu sou forte, né?! Eu preciso ser forte. Me disseram que era assim que conseguimos, que é assim que a vida é. Quantas coisas a gente vai vivendo apenas para “conseguir”? Só mais hoje, só por enquanto, só até chegar o fim de semana ou as férias. Ei, espera, deixa eu contar uma coisa: está tudo bem! Calma, respira fundo. Pode parar um pouquinho pra descansar, deixa esse peso aqui do lado. Tem certeza que precisa dele? Não seria melhor devolvê-lo a quem pertence? Ou apenas deixá-lo aqui e seguir adiante? Estou repetindo isso pra mim hoje. Ser gentil também é um cuidado. Por que não praticamos com mais frequência com quem somos? Por que não aceitar alguns limites e necessidades? Está tudo bem em ser quem a gente é. Todos esses quereres, todas essas dores. Acredite, não tem problema sentir o que está sentindo agora. Só precisamos dar mais alguns passos. Vem cá, me dá sua mão, você não está sozinha agora. Está tudo bem. Vamos juntas, já está dando certo. E eu acredito. Era uma voz conhecida que eu ouvia. Era a minha voz.

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#21 {para cuidar de mim}

Estamos em outubro e daqui a pouco já começa aquela fase de retrospectivas e recordações. Antes de chegarmos lá, preciso falar de 2015. Sim, 2015, aquele que já virou lembrança há tempos. 2015 foi um ano complicado. Tudo que eu conseguia ver na minha vida era o que eu não tinha. A sensação clara e quase física era a de que a gente precisaria mudar muita coisa até começar a ficar menos pior. Eu estava estressada. Fadigada. E queria achar alguma solução, o mais rápido possível, para sair daquele limbo. Quanto mais eu corria atrás do que quer que fosse para me tirar dali, mais eu me afastava da minha calma. Quanto mais eu ansiava por uma vida diferente, mais me enterrava no que eu queria mudar. Contraditório, eu sei. Estava correndo em círculos – cansada e sem sair do lugar. Mas, de alguma forma, as coisas se ajeitaram aqui dentro e eu comecei a prestar atenção no que eu tinha. Ajustei o olhar e passei a realmente enxergar tudo que eu já tinha e simplesmente agradecer por elas. Pronto, lá vem a hippie falar de gratidão. Sim, sou eu. Não teve uma estratégia elaborada para me tirar daquela angústia, algum segredo que eu poderia vender e ficar rica. Foi muito simples, na verdade. Foi perceber que nem tudo naquele cenário cabia a mim – e que era inútil, então, continuar carregando tal peso. Eu precisei deixar de lado algumas certezas e entender que a minha pressa não estava funcionando em nada. Aliás, estava me adoecendo. Tive mastite, inflamação de ouvido, dores de cabeça, insônia. Ou eu mudava, ou sucumbia de vez. Não foi que eu me conformei. Eu só aceitei que aquela era a realidade do momento e que poderia escolher seguir de outro jeito a partir de então. 2015 foi um ano de processos e aprendizados. Agradecer pelo que eu tinha foi um cuidado importante que sigo fazendo desde então. E ainda vou falar mais disso por aqui, com certeza.

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