#23 {para cuidar de mim}

A verdade é que não há garantias. Não existe uma coisa mágica e específica que a gente faça e que simplifique tudo pra sempre. Quanto tempo na vida a gente perde só querendo o que é fácil – e se culpando, e sofrendo, e surtando por não conseguir? Eu já senti muito esse peso. De vez em quando ele ainda insiste em aparecer. Mas eu tento sempre me lembrar que não tem atalho. Tudo é caminho. Muitas vezes a gente quer algo definitivo. A dieta milagrosa. A teoria que vai fazer meu bebê dormir a noite toda. O segredo dos milionários. Como ser feliz todo dia. Não sei, é muita promessa, muita ilusão. A única coisa de tudo isso que eu sei é que estamos em movimento. A vida é fluida. Não estamos estáticos, parados no meio do nada. A gente só consegue o equilíbrio na bicicleta quando mexe as pernas – e mesmo quando dá para não pedalar, é em determinado embalo, por pouco tempo. Aceitar esse movimento como parte inerente da vida é um passo imenso nessa coisa de viver mais leve. Sigo tentando, um dia por vez. E tô gostando desse modo de caminhar.

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#22 {para cuidar de mim}

A culpa é um dos piores pesos que a gente pode carregar. Quando carregamos um peso muito grande durante muito tempo, acontece da gente se machucar – as costas doem, os ombros ficam pesados, as pernas ficam inchadas, os braços dormentes. Não é bom. Não faz bem. Em algum momento, precisamos parar. E num mundo onde parar vem quase sempre como sinônimo de fraqueza, a gente vai seguindo mais um pouco, só mais um pouquinho. Porque eu sou forte, né?! Eu preciso ser forte. Me disseram que era assim que conseguimos, que é assim que a vida é. Quantas coisas a gente vai vivendo apenas para “conseguir”? Só mais hoje, só por enquanto, só até chegar o fim de semana ou as férias. Ei, espera, deixa eu contar uma coisa: está tudo bem! Calma, respira fundo. Pode parar um pouquinho pra descansar, deixa esse peso aqui do lado. Tem certeza que precisa dele? Não seria melhor devolvê-lo a quem pertence? Ou apenas deixá-lo aqui e seguir adiante? Estou repetindo isso pra mim hoje. Ser gentil também é um cuidado. Por que não praticamos com mais frequência com quem somos? Por que não aceitar alguns limites e necessidades? Está tudo bem em ser quem a gente é. Todos esses quereres, todas essas dores. Acredite, não tem problema sentir o que está sentindo agora. Só precisamos dar mais alguns passos. Vem cá, me dá sua mão, você não está sozinha agora. Está tudo bem. Vamos juntas, já está dando certo. E eu acredito. Era uma voz conhecida que eu ouvia. Era a minha voz.

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#21 {para cuidar de mim}

Estamos em outubro e daqui a pouco já começa aquela fase de retrospectivas e recordações. Antes de chegarmos lá, preciso falar de 2015. Sim, 2015, aquele que já virou lembrança há tempos. 2015 foi um ano complicado. Tudo que eu conseguia ver na minha vida era o que eu não tinha. A sensação clara e quase física era a de que a gente precisaria mudar muita coisa até começar a ficar menos pior. Eu estava estressada. Fadigada. E queria achar alguma solução, o mais rápido possível, para sair daquele limbo. Quanto mais eu corria atrás do que quer que fosse para me tirar dali, mais eu me afastava da minha calma. Quanto mais eu ansiava por uma vida diferente, mais me enterrava no que eu queria mudar. Contraditório, eu sei. Estava correndo em círculos – cansada e sem sair do lugar. Mas, de alguma forma, as coisas se ajeitaram aqui dentro e eu comecei a prestar atenção no que eu tinha. Ajustei o olhar e passei a realmente enxergar tudo que eu já tinha e simplesmente agradecer por elas. Pronto, lá vem a hippie falar de gratidão. Sim, sou eu. Não teve uma estratégia elaborada para me tirar daquela angústia, algum segredo que eu poderia vender e ficar rica. Foi muito simples, na verdade. Foi perceber que nem tudo naquele cenário cabia a mim – e que era inútil, então, continuar carregando tal peso. Eu precisei deixar de lado algumas certezas e entender que a minha pressa não estava funcionando em nada. Aliás, estava me adoecendo. Tive mastite, inflamação de ouvido, dores de cabeça, insônia. Ou eu mudava, ou sucumbia de vez. Não foi que eu me conformei. Eu só aceitei que aquela era a realidade do momento e que poderia escolher seguir de outro jeito a partir de então. 2015 foi um ano de processos e aprendizados. Agradecer pelo que eu tinha foi um cuidado importante que sigo fazendo desde então. E ainda vou falar mais disso por aqui, com certeza.

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#20 {para cuidar de mim}

A chuva caiu e, ao contrário de outros dias – aqueles em que preferimos ficar em casa e curtir outras coisas – ontem a gente foi lá pra fora. “A chuva está bonita”, ouvi meu marido dizer no ponto de ônibus. Eu também gostava do que via. Tão bom quando a gente se permite ver algo como se fosse a primeira vez, né. Com uma filha de 2 anos a gente tem treinado um bocado desse olhar. E foi tão bom ter saído, sentido as gotinhas geladas que o guardachuva não barrava, respirado aquele ar, observado as pessoas. Um outro ritmo, nosso compasso. Hoje choveu de novo, o dia foi corrido, mil coisas, mas ainda conseguimos dar uma escapada no parque. Parece que foi mágica termos algo a resolver ali do lado e sobrar tempo entre uma coisa e outra. Entrar ali e ver a pequena correndo e jogando pedrinhas na poça de água foi um bom descanso. Gostei. Realmente gostei desses dias em que fizemos da chuva uma boa companhia. Que bom que a gente foi. Que bom que a gente se permitiu.

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#19 {para cuidar de mim}

Percebo que o que faz com que a vida fique mais leve é a intenção. O que você faz com a intenção de cuidar de si? A resposta de uma pessoa pode soar como um peso nos ombros do outro. É porque não existem regras. Cuidar da gente é algo pessoal e intransferível. Eu fico aqui falando de mim, das minhas conversas com os meus fantasmas, das minhas pausas e tudo mais, mas a intenção não é falar que é só assim que se cuida de si mesmo. É que é assim que eu cuido de mim. Pode ser que alguma hora te caiba algo semelhante. Pode ser que não. E com certeza nesse caminho eu vou aprender um monte de outros jeitos também, com você. Mas não vou apontar dedos ou falar que tal coisa é desnecessária. A idéia de falar sobre autocuidado é exatamente sobre leveza e liberdade. Já existe tanta coisa que a gente “tem que” fazer. De repente, aparece mais uma louca na internet falando que, além de todo peso do mundo e dos boletos do fim do mês, ainda tenho que cuidar de mim? Pro inferno esse cuidado! Né? Também acho. Algo pequeno pode ser mais eficiente do que grandes planejamentos, em alguns dias. Porque pequeno não significa sem importância. Significa que foi o tempo que você esteve presente pra você, somente com esta intenção. Como diria Cris Lisboa (@acrislis): só faz sentido o que é sentido. Você sente que precisa de um tempo, de uma pausa, de um descanso para um carinho? Então vamos juntos nessa, que o caminho é a gente que faz.

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