O que teve de bom em 2015

2015 foi um ano e tanto. Na verdade, ainda não encontrei um adjetivo único que contemplasse tudo que ele foi.

Foi intenso. Foi insano. Foi estranho.
Tenho percebido um sentimento geral de que foi bem ruim, por tanta coisa que aconteceu – ou deixou de acontecer – na vida de cada um e no cenário mais amplo também. Eu sei que foi foda. Cheguei a dizer algumas vezes que eu já queria comemorar o ano novo, pra pular logo pro outro ano, virar a página, seguir em frente. Acontece que hoje eu não estou aqui para listar tudo de bizarro que aconteceu. Certamente você encontrará essa lista, em vários formatos e tamanhos, espalhada por outros endereços internet afora. E é também por isso que não vou falar das lástimas. Chega de lembrar só de coisa ruim, pelo menos por este ano. E isso não é censura. É apenas um exercício. Voltar o olhar para o que foi bom e agradável na sua vida, preencher os pensamentos com lembranças boas e, assim, conseguir realmente seguir em frente construindo dias melhores, um pouquinho de cada vez.

Pois bem, vamos lá. O que teve de bom na minha vida em 2015:

Minha casa
Em novembro completamos 1 ano morando neste apartamento, marido, filha e eu. Foi um ano de desconstrução e muito aprendizado pra todo mundo. E por mais que já estejamos pensando na próxima morada, esse apê, que carinhosamente é chamado de caixinha de fósforo, tem muito valor na nossa história. E céus, minha filha ama chegar em casa, adora ficar aqui, muito bonitinho de ver.

Família
Não tem como não falar deles. Meus dois amores e parceiros de caminhada. Meu marido e minha filha. Se teve uma coisa que deu certo em 2015, com certeza foi a nossa família. Mesmo quando estava dando errado, deu certo. Não foi só bonitinho, não foi somente brisa leve do campo. Mas fomos. Estamos saindo deste ano muito mais fortes e unidos, com certeza.

Maternagem
Fui uma mãe presente e ativa durante o ano inteiro. O que não significa que fui uma mãe perfeita, nem que não tenha errado, ou chorado, ou me culpado. Mas eu estava aqui. O maior ensinamento que a minha filha já me deu até hoje, em 1 e 5 meses de vida, foi viver o presente de forma mais consciente, no sentido de estar aqui mesmo, e não pensando em mil coisas para além do hoje. Claro que não consegui isso todo dia, mas estou aprendendo e ela tem muita paciência para me ensinar. Sou muito grata por isso.

Enfrentamento
Esse ano estive cara-a-cara com alguns fantasmas antigos. Nossa, como eu chorei e refleti. Acho até que envelheci uns anos a mais, mas não foi tão ruim quanto eu achava que seria. Dias atrás tive uma das conversas mais significativas da minha vida toda, com uma pessoa muito importante. Dissemos coisas que talvez estivessem ali entre nós há anos, e que foram entrelinhas presentes em muitos meses desse 2015. Finalmente eu disse, finalmente assumi, finalmente enfrentei. Acho que cresci.

Leveza
Ano passado eu decidi que queria tentar ser mais leve em 2015. Porque eu tenho tendência a carregar muito peso que não me pertence e minhas costas já não aguentavam mais. Era preciso deixar algumas coisas no caminho, ou devolver a quem de fato pertenciam. Falhei nisso muitas vezes, principalmente no primeiro semestre, mas em algum lugar entre uma notícia ruim e a bagunça da casa, consegui sentir a tal da leveza. Às vezes é bem sutil, mas ela está aqui. Estamos nos conhecendo. É uma busca constante, um aprendizado longe de ser concluído, mas já gosto muito da sensação.

Gratidão
Aliás, foi através da gratidão que consegui chegar mais e mais perto de ser mais leve. O ato de agradecer (a Deus, ao Universo ou o que quer que seja que faça sentido na sua cabeça) opera milagres, acredite.

Rezar
Voltei a frequentar a igreja esse ano e isso é realmente surpreendente. Tenho minhas crises com a instituição Igreja, me afastei durante muito tempo (apesar de nunca-nunquinha ter parado de rezar ou de acreditar em Deus), mas esse ano resolvemos batizar a pequena e desde então estamos indo a missa (quase) todos os domingos. Está sendo muito bom, o padre é muito legal, fala coisas coerentes e explica passagens da Bíblia de forma muito clara, com uma linha de raciocínio muito bacana de acompanhar. Tem sido manhãs bem gratificantes, com certeza uma grata surpresa que 2015 me trouxe.

Enfim. Essas foram algumas coisas que aconteceram de maravilhoso nesse ano. Ainda teve a nossa viagem pra Minas em fevereiro, pro Rio de Janeiro em julho, nossas idas ao parque, nossas caminhadas pelo bairro, sanduíches as onze da noite, filmes em casa, chamegos e farras, entre tantas outras lembranças. E você, o que vai levar de bom desse para os próximos anos?

Adoro 

1 de dezembro, que beleza! Eu adoro o clima do final do ano. Adoro Natal, adoro as festas, adoro amigo secreto. Adoro as pessoas na rua sorrindo mais, adoro as luzes e as decorações. Céus, eu realmente adoro as luzes de Natal. Adoro viajar. Adoro fazer mil listas sobre todas as pendências e presentes a providenciar. Adoro embrulhar presentes. Adoro ganhar também, não vou mentir justo em dezembro. Adoro parar para respirar e dar uma olhadinha pra trás, ter alguma perspectiva do ano que vai chegando ao fim. Adoro o clima de recomeço. Adoro fazer planos e tentar adivinhar o que vai acontecer dali 5 ou 8 meses.

Ainda é dia 1, eu sei. Mas já estou no clima. Já fiz uma faxina completa na minha casa, daquelas de arrastar móveis e tudo mais, já esvaziei meu armário e doei várias sacolas de roupas. A casa está mais leve, uma delícia só. Já montei a árvore de Natal com a minha filha e até já comecei algumas comprinhas, sem contar as listas que faço e refaço toda hora.

Ainda choro com as notícias do jornal e muitas vezes desligo a televisão para manter alguma sanidade. O número de notícias ruins e acontecimentos estranhos está grande, em vários âmbitos. Eu sei. Isso porque ainda nem mencionei o capitalismo dessa fase do ano e o sistema que quer nos dominar, entre outras teorias por aí. Mas em dezembro eu crio uma bolha e me permito viver nela, senão em tempo integral, a maior parte que eu conseguir. Existe um não sei quê nessa época que me faz bem, me traz mesmo uma esperança, uma espécie de quentinho no coração. Algo que não está nas vitrines nem nos anúncios. Aliás, só falo disso para exemplificar mesmo, porque meu olhar está voltado para um outro lugar. É dentro mesmo que a magia acontece. Escolhi não perder essa aura mesmo com a vista embaçada pelo mundo real. É o espírito natalino, talvez. Só sei que é bom, eu gosto muito e pretendo seguir assim ainda por muito tempo. Que venha dezembro e meu respiro nesse vendaval. Amém.