Gratidão

Algumas coisas não têm saído como eu imaginava nos últimos tempos.
Na verdade, por vezes chego a pensar, nos momentos mais pessimistas, que vai ser muito difícil reverter esse quadro.
Tudo parece tão longe daqui de onde estou olhando… Ontem eu chorei depois que algumas fichas caíram.

Mas hoje, não. Alguma coisa deve ter acontecido entre a noite de ontem e o amanhecer de hoje, porque hoje eu sou só gratidão. Ainda estou no mesmo lugar, com os mesmos problemas de ontem, com as mesmas questões de sempre.

Mas sabe o que é? Eu tenho uma filha. Uma filha linda, de 1 mês e meio. Tenho adorado me descobrir mãe – e sim, é difícil, não só lindo, mas mais lindo do que difícil – e tenho aprendido um bocado com ela. Todos os dias, quando ela acorda, depois de se espreguiçar por 1 ou 2 minutos, ela olha pra mim e sorri. Um sorriso lindo e banguelo. É o jeito que ela responde ao meu bom dia. Não importa se ela teve uma noite difícil, com desconfortos, ela sempre sorri quando acorda. E isso me desarma, me faz largar tudo no chão e me permitir viver isso de forma presente.

E confesso que o dia hoje foi muito bom. Um dia comum, é verdade, mas muito bom. O soninho a mais de manhã. Meu marido trabalhando enquanto eu dançava na sala com ela, pertinho dele. Ela parando para ouvir as músicas e me pedindo, do jeito dela, pra continuar dançando. O almoço fora de hora. O banho rápido, mas revigorante que consegui tomar. O prazer de amamentar. Alguns poucos planos de nós dois. Tudo muito simples, só mesmo os acontecimentos do cotidiano, mas que eu gostei muito de viver. Não fiquei pensando no porvir, nem no que poderia ser. Estive aqui, mesmo. E isso fez diferença.

Estar aqui. Viver o que me acontece hoje.
Pequenas coisas.
E consegui vislumbrar, ali na cozinha, que eu estava, sim, vivendo o que eu tanto quis.

Gratidão ao meu bom Deus, por me mostrar isso hoje. Amém.